Ser Doula - Um Poema Oração
E Ler:
Respirei.
Senti o bater do meu coração.
Orei: que no silêncio do meu coração pudesse encontrar as palavras e a paz necessária ao encontro que iria acontecer.
Ele olhou para mim
Senti, no meu corpo, um deserto profundo atravessar-me. O deserto do outro.
Desamparo que diz: tenho medo.
Uma ligeira ansiedade surgia dentro de mim, mas também, no mesmo momento ecoaram-me as seguintes palavras em forma de oração: Ouve e sente a tua Voz interior. O Sagrado imanente a tudo. Permeia quem somos. Somos os seus Gestos. As Palavras. Os Silêncios. Cada Passo. Somos Serviço.
Cuidar de um corpo vulnerável é cuidar deste Sagrado. É cuidar o Corpo que nos veio re-lembrar que o Divino nos habita na fragilidade. Na delicadeza. Nos pequenos gestos. Nos Vazios.
Abre o teu coração à passagem do Espírito para cuidar e olhar este corpo como uma Oração Sagrada de Deus na Terra. Testemunha a sua ressurreição e no momento da sua morte sente a Oração Sagrada que este momento único, da nossa vida, É.
Está Presente como um presente. Cuida cada chaga (física, emocional, espiritual, relacional....). Cuida cada lágrima, cada gota de sangue e cada fluido que sai do corpo. São sagrados.
Todos os corpos que cuidamos são Corpo de Deus. O Teu Corpo é Corpo de Deus.
Falou da família,
das perdas
das memórias
e de uma fé que às vezes vacila ou deixa de existir
O encontro com o outro também é um encontro comigo.
Na fragilidade do outro também me encontro.
Na fragilidade do outro encontro a força e a Presença da Vida que nos toca a todos.


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