O mito de Inanna 

A nossa descida do envelhecimento à morte


Este relato não pretende trazer certezas, respostas fechadas e exatidão ao que é um processo único e individual. Pretendo apenas deixar uma semente que vos desperte a curiosidade de se visitarem a vós próprios, nas descidas, e permanecer para a vida que pode florescer aí.


Hoje gostava de vos escrever sobre o mito de Inanna, a sua descida ao submundo, e como podemos inspirar-nos nele para resgatarmos a sapiência imemorial do nosso corpo quando ele começa a sua travessia de descida, envelhecimento e morte. Habitando um corpo de mulher, posso referir sentir-me viver esta descida todos os meses, aquando da menstruação. Também sinto importante mencionar que todos, homens e mulheres, somos visitados e convidados a fazer esta descida inúmeras vezes na nossa vida. Infelizmente, uma amnésia coletiva invadiu o território do nosso corpo e precisamos urgentemente de relembrar como fazer estas travessias. Elas são vida em nós. Elas são a Vida a manifestar-se através do corpo.

O culto de Inanna é reverência sagrada do nosso corpo, da nossa alma e do Espírito que tudo unifica. Ele relembra que, desde sempre, a descida de todos nós faz parte. Fazemos parte. Não é pecado. Não é antinatural. Não é defeito. Todos temos de descer. Nascemos e morremos. Morremos e nascemos. Assim é. Sempre.

O mito de Inanna (ou Ishtar), deusa suméria do amor, erotismo, fecundidade e fertilidade, foca-se principalmente na sua descida ao “mundo inferior” para confrontar a sua irmã gémea Ereshkigal, que governa o “mundo inferior”.

Inanna precisa de passar por 7 portões e, ao fazê-lo, vai sendo despojada dos seus pertences, poderes e crenças. É despojada de si mesma. Fica nua. Vulnerável. Morre e ressuscita.

Depois de Inanna descer ao submundo, todo o erotismo, fertilidade e abundância cessam na Terra.

Tinha dado indicação, antes da descida, ao seu conselheiro Ninshubur, que, se não regressasse dentro de 3 dias, ele deveria pedir ajuda. O deus Enki cria seres andróginos que trazem Inanna de volta à vida com a “água da vida”, mas, para sair do submundo, Inanna precisou de um substituto. Ela escolhe o seu marido, Dumuzi, que não a tinha lamentado apropriadamente. Ele passa a alternar seis meses no submundo e seis meses na Terra, simbolizando os ciclos da natureza.

Diane Wolkstein interpreta o mito como uma união entre Inanna e o seu próprio lado sombra: a sua irmã gémea, Ereshkigal. Quando Inanna ascende do submundo, é através dos poderes de Ereshkigal, mas, enquanto Inanna está no submundo, é Ereshkigal quem assume os poderes da fertilidade. A história refere que os seres enviados para resgatar Inanna encontram Ereshkigal em agonia, como uma mulher a dar à luz. Já tenho referido, em outros textos que escrevi, que a morte é um parto. Da morte nascemos.

Wolkstein interpreta a narrativa como um louvor dedicado aos aspetos mais negativos do domínio de Inanna, simbólico de uma aceitação da necessidade da morte, a fim de facilitar a continuidade da vida.

Não posso deixar de fazer sobressair os 3 dias em que Inanna permanece no submundo. Em outras histórias, os 3 dias são mencionados e não é por acaso. Jonas foi engolido pela baleia e permaneceu no seu “submundo” 3 dias antes de renascer. Cristo adentrou no sepulcro e renasceu passados 3 dias. Como Jean-Yves Leloup menciona no seu livro Caminhos para a realização: (…) na profundidade da terra, vai operar-se a passagem da morte para a vida. (…) A experiência de Jonas é a experiência de descer conscientemente para a morte, descer conscientemente em nosso ser mortal. É entrar em consciência na profundidade da condição humana. E é no fundo deste inferno, deste infortúnio, que se vai lembrar.


Como podemos atravessar os portões? O que temos de largar?
O QUE ACONTECE NO FINAL DA VIDA? SINAIS E SINTOMAS


A forma como morremos fica plasmada na energia que libertamos ao morrer, na energia coletiva da Terra e na memória dos que nos rodeiam. Os grandes mestres do Oriente afirmam que o nascimento e a morte são dos momentos mais preciosos que temos. Mas não só os mestres do Oriente. Muitos grandes mestres de diferentes origens. Afinal, o princípio é o mesmo.

Estes dois momentos são de uma grande oportunidade energética de cura espiritual. São momentos de criação, onde grande energia é canalizada. São portais de transformação, não apenas individuais, mas coletivos. São oportunidades de reconhecimento da nossa essência maior. Da energia do Amor, da criação e transformação.

O que acontece nestes momentos se a energia que vibra em nós está carregada de ignorância, medo, desprezo, culpa, ressentimento, ódio, abandono, rejeição, injustiça, traição, humilhação? O que acontece se nós não compreendermos o que nos acontece quando estamos a “descer”? Antes de “subir”? Morrer antes de renascer? O que acontece quando não nos preparamos para a descida inevitável?

E, claro, existe um espaço para a impermanência da vida e não podemos, não conseguimos, controlar tudo o que nos pode acontecer. No entanto, existe uma sabedoria ancestral que está patente na memória de cada célula do nosso corpo. O corpo sabe morrer de uma forma mais apoiada se nós, o nosso ego, não quisermos controlar esta descida necessária.

E, claro, não podemos ignorar o ego. Ele habita-nos. Tem o seu propósito ao longo da nossa vida. Mas, tendo consciência da sua existência e da sua luta para permanecer / não morrer, mesmo que seja inglória, podemos dar ouvidos à nossa alma e acreditar que o nosso corpo — repito — sabe morrer.

Os orientais falam-nos dos quatro elementos da natureza e de como estes se dissolvem no processo final do morrer. É um processo energético intenso, tal como na criação de um feto e no seu nascimento. Como parte da natureza, também somos feitos destes elementos: terra, água, fogo e ar.

Terra – matéria, movida pelas evidências, firmeza, força (corpo, ossos, tendões, músculos).

Fogo – energia, movido pelos ideais, sonho, ousadia, coração (calor, eletricidade, sistema nervoso, batimentos cardíacos).

Água – sente / emoções, intuição (sangue, suor, lágrimas, saliva…).

Ar – pensa, intelecto, mente, pensamentos, redes sociais, TV, amigos, livros, comunicação, lógica (respiração).


Aqui, nesta reflexão que vos trago, faço a ponte entre os elementos, os sinais e sintomas que ocorrem no nosso corpo quando envelhecemos e morremos, o mito de Inanna e os portões que ela precisou de atravessar. Inspirei-me no livro de Sofia Batalha — O dia a seguir da tempestade — onde ela aborda precisamente os 7 portões.


O primeiro portão

Quando sentimos que o nosso corpo começa a sua travessia em direção à Terra, a sua descida, a decrescer, algo em nós começa a despertar — ou pode, se permitirmos, começar a despertar. A alma começa a crescer, a expandir, a ganhar espaço interior no invisível, no inconsciente. Nas palavras de Sofia Batalha: “(…) ver não é tudo, por haver saberes que só germinam no escuro (…)”.

O primeiro portão pede-nos para largar a ilusão de controlo. “Para descer, tens de render-te ao não saber.” Deixamos a soberania da certeza, deixamos o trono das convicções estáveis. Começamos a escutar com o corpo, a abrir espaço ao que não tem nome nem pressa.

Caminhamos sem mapa. Caminhamos abrindo-nos ao invisível. Começamos a sentir o convite do vazio e a perceber que ele é cheio. É um convite a atravessar a solidão, aprendendo que nunca estamos sós. O primeiro portão pede-nos que criemos prioridades na lentidão, na contemplação.

São-nos retirados os adereços supérfluos que já não nos ajudam, já não estão alinhados nesta caminhada (relações, projetos, trabalhos, etc.). O corpo relembra-se de que é sagrado e que abriga a alma que fala com o espírito de toda a rede da vida. Pede-nos para ouvir.

Pede-nos vulnerabilidade. Presença. Escuta.

Rende-te.


Jonas, dentro das profundezas da baleia, diz: «No seio dos infernos eu continuo a olhar para o teu Santo Templo.» Isto quer dizer que ele não perdeu a sua orientação interior. No deserto das nossas vidas, os mapas de estrada não são muito úteis. Nós não temos necessidade de mapas. Estes são úteis quando estamos na cidade, mas no deserto, onde não há mais estradas, para que servem os mapas? No deserto, não temos necessidade de mapas e sim de bússolas.”

Somos chamados a seguir o caminho da alma e a ouvir o Espírito.


O segundo portão

Diz-nos para deixarmos o corpo erótico transacional e performativo e para abraçarmos o corpo vulnerável que se decompõe. Somos alimento. Fazemos parte da cadeia alimentar. Fazemos parte da rede da vida.

Pede-nos para começarmos a viver a impermanência da vida, para nos sentarmos em silêncio e para que a pergunta “porque eu vivo?” se transforme em “para quem eu vivo?” (Jean-Yves Leloup).

É um convite a sentarmo-nos com a solidão e o vazio interior para reencontrarmos o nosso centro.


O terceiro portão

Largarmos o controlo. Percebemos que não podemos dominar nada. Nunca tivemos poder de decisão.

Nas palavras de Sofia: “Aceita que nem tudo pode ser harmonizado e que a dissonância é também frequência sagrada.”

Abraçamos o caos. Casamos com o paradoxo. Sentamo-nos entre o pântano e as águas límpidas e percebemos que são uma água só.

Sentamo-nos com a tristeza e a alegria, a dúvida e a certeza, o medo e a confiança. Sentamo-nos com “Deus”.

Feridas da alma, gatilhos emocionais, traumas de desenvolvimento e outros começam a ter espaço, a ser convidados a sentar-se à mesa connosco. Na nossa armadura começam a aparecer fendas de oportunidade para transformarmos feridas em pérolas.

Mais uma vez, é-nos pedida rendição.


O quarto portal

Pede-nos coerência entre o que fazemos, dizemos e somos. Pede-nos que deixemos o corpo falar para além das palavras. Pede silêncio de som. Pede palavras de corpo.

Para ir até Deus não é preciso tornar-se menos humano, mas sobretudo tornar-se mais humano.” 

(Jean-Yves Leloup)

Este portão pede que larguemos o peso da eficiência e a marca daquilo que foi a nossa identidade. Pede-nos para sermos cálice vazio, que nos deixemos ocupar pelo espírito. “Faça-se em mim a Tua vontade.” Esta é a oração. Rendição.

Pede-nos para deixarmos de encaixar no papel que desempenhámos até aqui para abrir espaço para que algo se faça através de nós. Que arrumemos e desocupemos a bagagem da nossa casa para que o vazio possa entrar.

Questionamos o sentido da vida, o papel ou papéis que desempenhamos, o propósito.

A vida pede-nos para largar os diplomas que conquistámos para começarmos a olhar para dentro, onde o ser, além do ser, se encontra.

Aqui, neste portal, as manifestações fisiológicas de aproximação da nossa morte começam a tornar-se mais evidentes.

Podemos sentir que começamos a entrar em contacto com uma consciência mais subtil e imaterial. Os estados alterados de consciência podem começar a visitar-nos naturalmente. Podem começar a ocorrer oscilações do estado de consciência. Por vezes visitamos o mundo imaterial e recebemos notícias que de lá provêm, seja por meio de sonhos e mesmo acordados. Podemos receber visitas no mundo imaterial e falar com elas. São tão reais como a mão que se encontra no fim do nosso braço. No instante a seguir voltamos a habitar o mundo mais material. Oscilamos entre mundos. O véu começa a dissolver-se.

Vamos começar a desapegar-nos naturalmente do que nos rodeia. E a transição entre um mundo e outro vai-se fazendo progressivamente. O invisível chama-nos. O espírito sussurra “Casa”.

Quem está mais perto da sua morte fica progressivamente mais sonolento. Pode acontecer ter dias em que está mais desperto e outros em que está mais a dormir.

As feridas da alma podem despoletar aqui. Houve uma preparação no portal anterior. A mente mais racional começa a perder a sua força e o cérebro emocional e primitivo (a raiz do nosso cérebro) ganha espaço para existir. Tudo o que reprimimos (controlado com a mente racional), mas que ficou na memória somática do corpo, tem agora uma hipótese de ser vivido e transformado. Medos e emoções difíceis podem então surgir. O que amordaçámos em vida torna-se um bloqueio, uma pedra que impede o fluxo do rio. Gelo que começa a derreter para que a água entre no fluxo da corrente da vida.

O corpo, na sua imensa sabedoria, sabe naturalmente metabolizar, como uma dança, o que nele não tem espaço para o amor e pertença no fluxo do rio da vida.

A pessoa que está a partir está extremamente sensível e o toque deve ser mais suave e subtil. A alma cresce e a sua energia não é igual à força gravitacional do corpo terra.


O quinto portal

O elemento terra, da dissolução do nosso corpo, começa a ganhar mais expressão.

Para que façamos a descida, o corpo começa progressivamente a perder faculdades físicas, a perder força, flexibilidade e agilidade. Um novo mapa neuronal toma conta.

Gradualmente, ao longo dos anos, iremos precisar de ajuda para andar, para nos levantarmos, para nos virarmos na cama. Engolir a comida pode ser um processo mais lento e os músculos da deglutição também começam a ficar mais preguiçosos.

Começamos a sentir menos fome, menos sede. O nosso metabolismo reduz cada vez mais e, logo, as nossas necessidades são cada vez menores. É uma fase importante para desmistificar as necessidades alimentares.

A pessoa pode dormir de boca aberta e os olhos podem teimar em fechar, porque o relaxamento é grande.

Nas palavras de Sofia: “Tu também és a Terra a tentar curar-se.” Desfazemo-nos na cama como a folha que cai na terra e se converte em húmus. Somos húmus. Sempre fomos. Alimento. Sustento da vida.


Entre ouro

ou prata

escolho o musgo.”


(João Bosco da Silva,
Preferir o Musgo, edição Komorebi)


O sexto portal

O elemento água, da dissolução do nosso corpo, começa a ganhar mais expressão.

Fisiologicamente, a pessoa tende a ficar mais desidratada e urina menos. O corpo produz menos fluidos, secreções e enzimas. As mucosas ficam mais secas. Engolir pode ser um processo difícil e a pessoa pode engasgar-se com muita facilidade, principalmente com os líquidos. Os rins deixam de funcionar, respeitando e alinhando-se com o processo energético do corpo. Por este motivo, é muito mais confortável as pessoas morrerem levemente desidratadas. O intensivismo e a insistência em dar líquidos e alimentos nesta fase pode resultar num grande desconforto para a pessoa que está a partir, numa incoerência energética, espiritual e física.

De igual forma, as pessoas ficam mais introspectivas e refletem sobre a sua vida. Pode surgir medo, tristeza, culpa, raiva, etc. Entramos mais em contacto com as emoções e a nossa natureza e essência.

Não é por acaso que 60% das nossas células são feitas de água. Não é por acaso que crescemos dentro de um útero de água. Nesta fase, nas últimas semanas/dias/horas de vida, voltamos a querer entrar dentro de um outro útero. Um útero maior. Um útero universal.

É importante respeitar esta fase introspectiva. É importante ouvir e apoiar as emoções que surgem e não fugir delas, não mascarar. É a mesma etapa pela qual passa a mulher grávida (e o bebé) que está a parir o seu filho. É essencial o silêncio, a tranquilidade, um ambiente introspetivo e seguro que permita ao corpo segregar as hormonas essenciais a um parto natural. O mesmo acontece na morte. Repito: a morte também se pare.

Ghalib, um poeta persa, diz que “para a chuva, a alegria está quando entra no rio.” É nesta fase que deixamos de nos ver como apenas uma gota, mas como pertencentes a um mar imenso e a todas as gotas da chuva.

Pode acontecer a farfalheira residual e o estridor.

A dissolução do fogo também ganha mais forma.

Nesta etapa podem ocorrer oscilações da temperatura corporal. Pode ocorrer febre e infeções. O metabolismo desacelera e as extremidades do corpo ficam frias. Podem aparecer livores ao longo do corpo e a coloração da pele também se altera. Fica bacilenta. Também é a etapa das chamadas “melhoras da morte”. Todo o corpo desperta novamente, mas agora, se todas as etapas anteriores foram respeitadas, é ativada uma nova compreensão, um novo olhar sobre a vida e o viver. É aqui que se pode dar o despertar espiritual, ainda nesta vida. A compreensão da sua/nossa existência: o Amor. Toda a vida é entendida. Todos os “erros”, todas as etapas, todas as relações. Amar, ser amado, perdoar, ser perdoado, aceitar, agradecer.

Pode observar-se, nesta etapa, a pessoa querer destapar-se e despir-se continuamente, apesar de ter as extremidades frias. Isto acontece porque, dentro dela, na região do tórax, pode sentir um calor imenso. Contrariar estes movimentos pode fazer com que a pessoa fique mais agitada e ansiosa.


O sétimo portal

Por muito que se queira ver, o Invisível é que manda.” Jamadil Akhir

Somos o Invisível.

A energia, em forma de ar, que entrou nos nossos pulmões após a nossa saída do útero da mãe será devolvida, e voltamos a entrar no Útero, o Útero Maior, onde respirar não é preciso, tal como dentro do útero materno (a nossa mãe terrena). Ocorrem oscilações do padrão respiratório até que acontece uma expiração final. A única coisa que se presencia neste espaço é a respiração. A morte é assim idêntica ao nascimento. Todas as pessoas se focam naturalmente na simplicidade do respirar. Quem já vivenciou e sentiu este processo de entrega entende que não há palavras que o descrevam. Ficamos nus, despidos de palavras e rodeados de amor. O mesmo amor que agora a pessoa que partiu é.

Respiração de Cheyne-Stokes consiste em momentos de hiperventilação ou polipneia (respiramos mais rapidamente) intercalados com apneias (onde não respiramos).

A pessoa pode respirar também mais com os músculos acessórios, abdominais.
Não é sinónimo de sofrimento ou de falta de ar.

Ocorrem apneias.



Resumindo, Ostaseski refere que o elemento Terra se dissolve na Água, a Água no Fogo e o Fogo no Ar. O Ar dissolve-se no Espaço. O Espaço dissolve-se na consciência universal. Energia e matéria. Um só. O que era compreendido como dois, se o processo for respeitado, caminha para a inclusão. A dualidade deixa de existir. A sombra une-se à luz.


Conclusão


O mito da descida de Inanna, como Sofia Batalha diz, é um ensinamento importantíssimo:

Não há atalhos e não há forma de não fazermos a descida. É preciso adentrar o lado obscuro, despir-nos dos nossos privilégios e subterfúgios, contando com recursos pessoais de lucidez e de força que poderão fazer o resgate caso sucumbamos aos caprichos da matéria e da arrogância do ego.

Para iniciar-se nos mistérios é preciso, antes de tudo, aprender a reverência necessária, a humildade, conhecer as virtudes pessoais e, de forma alguma, subestimar a magnitude das forças que procuramos conhecer.”


Não é preciso estarmos a morrer para vivermos as descidas ao submundo. Viver estes processos são chamados do movimento contínuo da vida do qual nós fazemos parte. Integrarmos esta sabedoria do nosso corpo é regressar à Vida.


E renascemos ao terceiro dia.



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